A arte do origami, ou a magia do papel

A arte do origami, ou a magia do papel


Por M.Margarida Pereira-Müller

A.A. Nº 244/1967

Possivelmente já viram, aqui e além, reproduções de objectos e de animais feitos em papel, dobrado artisticamente. Isso é origami é a arte japonesa de dobrar papel artisticamente - e que exige muita, mas mesmo muita paciência.

Paciência é algo que não falta Maria de Fátima Neves Granadeiro da Silva que, além de ser professora de Matemática (bem, esta profissão também exige muita paciência), se dedicou - de alma e coração - a esta tradição do país do sol nascente.

Desde o primeiro curso de origami que frequentou nos idos anos 80 até aos dias de hoje, foram milhares as horas que tem investido em dobrar papel - e em dando a conhecer esta arte, tendo colaborado com diversos órgãos de comunicação social, como em programas de TV, empresas publicitárias, Câmaras Municipais, entre outros. E contribuindo, ao mesmo tempo, para a divulgação da cultura japonesa em Portugal.

Foi assim que a Embaixada do Japão lhe resolveu entregar um Louvor de Mérito Especial do Embaixador do Japão que é atribuído como agradecimento da Embaixada do Japão para com os cidadãos ou as organizações que têm contribuído, durante muito tempo, para a promoção dos laços de amizade entre o Japão e Portugal.

As ligações do origami com a Matemática são muitas. A prática e o estudo do origami envolvem vários temas matemáticos. Daí Fátima Granadeiro usar o origami no ensino da Matemática, em especial quando trata a Geometria. O origami desempenha um papel muito importante no desenvolvimento intelectual da criança, uma vez que desenvolve a capacidade criadora, além de contribuir para o desenvolvimento da psicomotricidade.

Todos nós sonhamos, pois sabemos que, como escreveu Sebastião da Gama, "pelo sonho é que vamos". E Fátima Granadeiro sonha em criar a primeira associação de origami em Portugal e o Embaixador do Japão espera o continuar e aprofundamento das suas actividades em Portugal.

O que é origami?

A origem da palavra vem de ori (=dobrar) e kami (=papel). Na dinastia Edo, os senhores feudais começaram a embrulhar as prendas que davam em papéis dobrados artisticamente. Cada senhor tentava superar os embrulhos de papel dos outros senhores. Foram assim tornando-se cada vez mais sofisticados.

Esta arte de dobrar papel, sem nunca o cortar, foi passando oralmente de geração em geração. Somente no último quartel do séc. XVIII, surgiu o primeiro livro de instruções: Hiden Senbazuru Orikata que ensinava a dobrar papel para se obter o pássaro sagrado do Japão.

As regras básicas do origami não são muitas; no entanto, as folhas de papel quadradas e não podem ser cortadas. Mas, estas regras não são absolutas e há muitas dobragens em que as regras não se verificam e trazem simplicidade e desafio à criação de modelos.