Testemunhos sobre o Director Ferreira de Simas


Conforme o anunciado no n.º 1/04 da Laços, publicam-se, agora, excertos de todos os depoimentos sobre o Director Ferreira de Simas.

A sua escolha obedeceu, naturalmente, a critérios subjectivos, isto é, foram seleccionados ao pareceram mais significativos.

Se dispuséssemos de espaço, publicar-se-iam todos, integralmente, e, assim não incorríamos no desapontamento de algumas colaboradoras que preferiam outras passagens que não estas.

Esperamos, no entanto, que sejam em pequeno número as decepcionadas.

Mais uma vez o reconhecimento da A.A.A.I.O. pela vossa colaboração tão prontamente aceite e, para nós, preciosa.

1- Uma aluna de 1922 (pediu o anonimato)

Dessa data longínqua guardo inúmeras recordações e, entre elas, como é natural, a figura inconfundível do nosso Director, Senhor Coronel Ferreira de Simas ... Mencionarei apenas duas situações que julgo esclarecedoras. Num dia de Primavera, num terreiro inundado de sol, um grupo de garotas rodeava o Sr. Director. Então uma delas, confiante, perguntou-lhe: Sr. Director, hoje já se penteou, e fez a "risca"? Não ouvi a resposta. Recordo apenas ter visto uma bela cabeça, quase totalmente calva e luzidia, baixar-se até à altura da sua interlocutora e segredar-lhe, à atrevida, ... o quê? Por trás de umas lentes grossas sorriam uns olhos meigos, cheios de ternura: uma atitude de humildade de um adulto condescendente com a crueldade impensada de uma criança

2- Maria Elisa de Campos Albuquerque, A.A. n.º 289/1923

É com muita saudade que me lembro do Senhor Director. Era um homem profundamente bom, e um grande amigo de todas nós.

3- Celeste Maria Costa da Silva, A.A. n.º 228/1924

Inteiramente de acordo que se faça uma merecida homenagem ao nosso querido director Senhor Coronel Ferreira de Simas.

Como eu, julgo que todas as alunas que privaram com ele, o têm bem enraizado no seu coração, pois que sem distinções, tratou-nos sempre com o maior carinho, desvelo e ternura, sempre atento ao nosso bem estar físico e psíquico

4- Noémia Assunção Santos R. Ramalho, A.A. n.º 306/1925

Com 87 anos conservo na mente a personagem bondosa sempre preocupado com o bem das alunas, do nosso querido Director, de então, Senhor Coronel Ferreira de Simas... Também compreensivo e muito tolerante. Estou a lembrar-me da Ema Quintanilha, n.º 332, sempre desalinhada e irreverente! ... Um dia, o bondoso Director, chamando-lhe a atenção, disse-lhe: não te penteias, nem tens risca no cabelo ..." resposta dela " e o Senhor Director tem uma risca tão larga ..." O Sr. Director era calvo, só tinha cabelo nas têmporas. Ao ouvir a alusão, em vez de a repreender, fez-se despercebido, o indulgente Director.

5- Alda Vilarinho Diegues , A.A. n.º 139/1926

O nosso querido Director, fazia as vezes de nosso Paizinho sempre amável e pronto, para resolver os nossos problemas, pois quando as coisas não nos corriam bem, apelávamos para ele... Sempre nos ouvia, com muita paciência e dava os seus conselhos. Por isso nos deixou tantas saudades...

6- Maria de Lourdes Gamelas, A.A. n.º 318/1926

...Quanto à homenagem ao Senhor Coronel Ferreira de Simas muito me alegrou, pois passados 64 anos continuo a lembrá-lo com saudade.

Durante os 11 anos que estive no Instituto foi um amigo e um educador inesquecível. Era amigo justo em quem podíamos recorrer nos bons e maus momentos. Compreensivo simpático alegre, mas ao mesmo tempo inspirava, não medo, mas respeito paternal! Um educador exemplar...

7- Maria Feliciana Paixão Ribeiro Vasques, A.A. n.º 241/1927

...não me é possível estar presente na festa do Aniversário do Instituto. A minha idade...( pois se lá chegar) farei os 90 anos no próximo dia 22 de Fevereiro ... Vou contar-vos um episódio que nunca esqueci, e já lá vão longos anos. Num dia em que o almoço era línguas de bacalhau, de que ninguém gostava, apesar das palavras severas da Srª D. Laura Canelhas, focámos em silêncio mas não comemos. Eis que o Senhor Director chega ao refeitório para saber o que se passava, e quando soube o que era o almoço, com aquele ar bondoso que o caracterizava, exclamou: Têm razão; eu também não gosto! E mandou que nos fizessem o tão apreciado amarelo ...estas coisas nunca esquecem, pois revelam bondade e compreensão que merecem a nossa homenagem ...

8- Maria Joana Pinto de Faria, A.A. Nº 171/1927

...Era portanto Director do Instituto o Senhor Coronel Ferreira de Simas pessoa pela qual tive sempre o maior respeito e a máxima consideração pela maneira paternal e inteligente como conduzia a direcção do Instituto. O seu espírito e modo de acção associativa era demonstrado em todas as suas acções. Ainda hoje me lembro e já tenho 86 anos o quiosque que o Senhor Director mandou colocar nos claustros e que para nós alunas representava o nosso posto de salvação, tal como a compra de selos para as nossas saídas ao sábado, bilhetes postais e pequenas lembranças e assim começou a nossa Associação...

9- Eugénia da Silva Lourenço Amaral, A.A. n.º 119/1927

...Estive apenas 5 anos no Instituto...Era muitíssimo magra, mesmo escanzelada e bastante Maria-rapaz. Talvez, por essa razão, ele tratava-me muitas vezes por " caipira" alcunha que, no meu entender, apenas expressava carinho. Que mais posso dizer? Que o recordo sempre com muita saudade e estima.

10- Maria de Lourdes Tereno, A.A. n.º 212/1928

...Era um grande homem, grande educador mas sempre muito bom e sensível com qualquer problema que se apresentava. Custou a vê-lo quando foi afastado das suas meninas, ia sempre aos Restauradores ver partir o autocarro para matar saudades das suas alunas...

11- Maria José, A.A. n.º 25/1930

... Recordo-o muito, sempre com muito respeito e ternura.

Lembro-me das papas que ele nos mandava comer, de tapioca e farinha torrada, entre o pequeno almoço e o almoço; do vinho guinado, servido em barrilinhos de vidro, ao almoço; ... lembro-me de uma vez em que o Sr. Melo Vieira faltou à aula de Ciências, o Senhor Director o ter ido substituir, dando-nos uma aula inspirada num livro de Júlio Verne, sobre a formação do Oxigénio, em que entrava o Senhor Ox e o seu criado Igénio, que nós delirámos...

12- Maria Augusta Silva Goucha, A.A. n.º 269/1930

Foi com muito gosto e prazer para as minhas recordações de aluna do colégio, saber da homenagem que pretendem prestar ao Exmo Sr. Director Ferreira de Simas, pessoa que deixou em todos que com ele contactaram todas as suas notáveis qualidades de Educador e Pedagogo, uma imagem inesquecível...

13- Maria Helena Leal Alves de Sousa, A.A. n.º 236/1932

Se fosseis vivo, quão feliz vos sentiríeis por ver que a Vossa Obra não morreu, e se sente cheia de força e amor para continuar cada vez mais forte para fins que, com tanto amor e dedicação foi criada. Eu, que perdi o meu pai com dois anos apenas, via em Vós um segundo Pai, bondoso, carinhoso e atento a todos os meus problemas. Ficará para sempre na minha lembrança a Vossa presença, Senhor Director Coronel Ferreira de Simas, e, tenho a certeza que lá do Além para onde partiste, tinha eu apenas dezanove anos, Vos recordareis de mim, ou melhor das três Migaças, nome por que éramos conhecidas. ...

14- Maria Armandina B. Boavida (Beça Quintão), A.A. n.º 357/1930

... Agora volto atras no tempo e com muitas saudades vejo nitidamente o nosso Director de então- figura ímpar, pedagogo e amigo, Senhor Coronel Ferreira de Simas.

15- Maria da Graça Cameira Cardita, A.A. n.º 333/1933

...e dizer que lembro o Senhor Coronel Ferreira de Simas com muitas saudades, com muitas saudades pela grande obra que realizou para a nossa juventude ser alegre e cumpridora...

16- Julieta Espírito Santo, A.A. n.º 329/1933

O Senhor Coronel Simas foi, sem dúvida um grande homem, um homem muito recto e que deixou uma grande obra: a nossa associação.

Gostei muito de ter andado no colégio e guardo do Senhor Coronel Simas uma grande saudade. Era um homem muito bom e muito carinhoso. Tive um grande problema no colégio que o Senhor Coronel resolveu de forma imparcial, muito correcta e com muita justiça. Não sei se qualquer outra pessoa, senão um grande Homem, com letra maiúscula, o teria resolvido tão sapiamente.

17- Amélia Ferreira da Conceição, A.A. n.º 172/ 1934

...E era no recreio que ele mostrava o quanto apreciava a nossa juventude, e divertíamo-nos com várias brincadeiras, como esta que jamais esquecerei. Naquele tempo, vendia-se o Jornal Infantil Pim Pam Pum com histórias adaptadas às nossas idades e então ele fazia o seguinte: dobrava-o muito bem dobradinho, e nós à volta dele aguardávamos que ele o atirasse ao ar, para uma de nós o apanhar. Calhou-me uma vez a mim, eu lia-o e depois passava o mesmo jornal para outras colegas. Belos tempos! O Sr. Director Coronel Simas, era dotado das mais profundas qualidades, tal como está escrito nesta carta, pondo em destaque o ter idealizado e concretizado a nossa